Vamos ser honestos sobre o que a recomendação técnica diz e sobre o que é a vida real com um bebê.
Idealmente, chupetas não deveriam ser usadas. Essa é a orientação. Mas se a família optar por usar, há um jeito de reduzir o impacto.
O risco é o uso prolongado, não o uso
Sugar é natural e necessário: o movimento estimula o desenvolvimento das arcadas dentárias e das articulações da mandíbula — ou seja, o formato da boca e o encaixe dos dentes.
O problema aparece quando o hábito se estende por tempo demais, depois que os dentes já estão na boca. Aí a pressão constante pode deslocar dentes e alterar o crescimento ósseo.
Até quando
O melhor momento de retirar depende da maturidade física e emocional de cada criança. Na prática, isso costuma acontecer por volta dos dois anos.
A sucção de dedo costuma durar mais, por um motivo simples: o dedo está sempre disponível. Não dá para guardar num armário.
Uma coisa importante, que tira o peso da culpa: problemas causados por uso prolongado de chupeta ou de dedo podem ser resolvidos numa fase posterior. Não é um dano irreversível.
A chupeta não é resposta para todo choro
Esse é o hábito que mais vicia o uso. Antes de oferecer, vale checar o que mais pode estar acontecendo: fralda molhada, cólica, posição desconfortável, ou simplesmente necessidade de colo e aconchego.
Mamadeira: o que cuidar
Quando a mamadeira é necessária, alguns pontos fazem diferença:
- Bico anatômico, de tamanho adequado à idade
- Nunca aumentar o furo do bico. Parece inofensivo, mas facilita demais a saída do leite e deixa de exercitar a musculatura da face
- Esterilizar os bicos após o uso
- Manter o contato visual com o bebê durante a alimentação
- Não deixar o bebê sozinho com a mamadeira — há risco de engasgo
Com dentes já na boca, o uso prolongado da mamadeira pode levar à cárie. Especialmente se houver mamadeira noturna adoçada.
O que nunca colocar na mamadeira
Açúcar, achocolatado, cereais ou mel. Nenhum deles.
O mel merece um alerta à parte: não é indicado para bebês até dois anos de idade, por risco de botulismo, por alergias — e também por ser cariogênico.
Como conduzir a retirada
Não existe fórmula, mas há princípios que ajudam:
- Reduza gradualmente, começando pelos momentos em que a criança está mais distraída
- Não use como castigo nem humilhação. Transformar a retirada em punição costuma prolongar o hábito
- Escolha um período calmo. Mudança de casa, chegada de irmão ou início na escola não são boas horas
- Converse com o odontopediatra. Ele consegue avaliar se já há alteração na mordida e orientar o ritmo adequado ao seu caso
Independentemente do momento da retirada, uma regra não muda: os dentes do bebê sempre devem estar limpos na hora de dormir.